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3.3.08

OS HERÓIS E O MEDO - 191º. fascículo

(continuação)

Mamadú era um dos guias preferidos da companhia do Mário. Conhecia de ouvido, melhor do que ninguém, a música da floresta, brisa em murmúrio nas folhas dos cajueiros e macacos no cio a guinchar de prazer na perseguição de alguma fêmea descomprometida. Não havia tabanca que Mamadú não conhecesse em toda a região do Oio, podendo indicar a presença de um intruso no meio daqueles rostos, todos iguais para os soldados brancos. Já se distinguira várias vezes em combate e, nos dias de ronco, quando a sua companhia desfilava, garbosa, atrás da fanfarra, nas ruas de Bissau, ostentava com orgulho a Cruz de Guerra pendurada no bolso esquerdo da camisa verde-escura. Mais uma vez, Mamadú estava debaixo de fogo. Desta, ao lado de Mário. Os dois algo isolados dos restantes. No flanco duma metralhadora ligeira dos guerrilheiros. A qual continuava a fustigar os companheiros lá mais abaixo.

(continua)
Magalhães Pinto

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