(continuação)Vai. Voa, palerma. Parece que carregas nos pés a Pátria inteira. Mostra a esses gajos que és o melhor. Porra! Corre mais! Ainda te vais lixar se não mexes esse cú. Julgas que, por seres preto, as balas te poupam? As balas não são racistas. Dizem que vêm da União Soviética. A merda. Se calhar até são portuguesas. O negócio das armas está-se nas tintas para os ideais que embrulham a concupiscência das guerras. Corre, porra! Nunca mais chegas lá! Estupor! Se fosse atrás duma bajuda já lhe tinhas apanhado os cueiros. Vai! Não tenhas medo! O medo tolhe os passos, a corrida. Se morreres, vais ter funeral de primeira em Bissau. Com fanfarra e tudo. Manga de ronco, como tu dizes. E vais ser célebre. Mostrado ao Mundo, para que este veja que os pretos também são heróis portugueses. Corre, porra! Para te safares, tens que correr mais do que os gajos de Lisboa, a quererem fazer agora, em meia dúzia de anos, o que não fizeram em quinhentos. Corre mais, sorna! Corre… Corre… Merda!
(continua)
Magalhães Pinto
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