
(continuação)
A cena repetiu-se vezes sem conta. Quando, frustrados, os homens vindos de várias direcções se encontraram, o mito de Morés e da sua inexpugnabilidade tinha acabado. Mas o espólio da operação era parco. Alguma documentação, que os serviços de informação analisariam. Palhoças destruídas. Armamento velho abandonado na pressa da fuga. Morés já não era nada, se é que alguma vez o fora. Provavelmente, a propaganda inimiga continuaria a referir Morés como um forte inexpugnável. Quartel-general de forças invisíveis, a escorrerem por entre os dedos como enguias acabadas de pescar no Rio Minho. Ou talvez passassem a falar de um outro sítio qualquer. Os mitos sempre ajudaram a fazer as guerras. Enquanto isso, sangrando aqui, morrendo acolá, as forças regulares continuariam à procura de dominar um fogo estranho, o qual não tinha local certo para arder. Ora parecia extinto num ponto como brotava, recrudescido, noutro ponto qualquer. Ora crepitava brandamente durante um tempo como explodia, violento e destruidor, logo de seguida.
(continua)
Magalhães Pinto
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