(continuação)É o fortim de Cutia. Duas secções, rendidas todos os Sábados, asseguram a sua defesa, juntamente com uma vintena de nativos milicanos que lá permanecem quase sempre.
Naquela semana, cabia ao Fausto comandar as duas secções a destacar para Cutia. Mas uma disenteria arreliadora aconselhara a sua substituição. E o Manel, seguinte na escala, substituira-o. Mário assistira aos preparativos da saída para o fortim. Todos os homens tinham consciência do risco dessa operação sistemática. As flagelações dos guerrilheiros aconteciam quase todas as semanas. E o inconfessado receio dos homens manifestava-se no quase irrealismo do seu comportamento. O “Vila Real” andara meia hora de um lado para o outro, à procura do creme de barbear, murmurando com os seus botões não saber onde tinha a cabeça, quando deveria dizer que não sabia onde tinha o tubo. Provavelmente, por uma questão de decência. O Almeida tão depressa estava absorto, deitado sobre a cama, a olhar para o tecto, como se levantava subitamente e se punha a dançar. O “Tóla”, assim apelidado por ter a cabeça grande, parecia um arsenal ambulante, de capacete na cabeça, camuflado já vestido, arma enfiada no ombro, punhal e granadas à cinta, cantil a descansar sobre o traseiro. Para o estarola do Manel, era apenas mais uma operação. Não se cansava de repetir aos homens ser aquela semana de descanso para os “turras”. E que, se alguém tentasse assaltar Cutia enquanto lá estivessem, iam ser as bajudas. O melhor seria levarem uns discos de merengue porque, se isso acontecesse, ele dava baile. E lá se tinham ido.
(continua)
Magalhães Pinto
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