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13.4.08

OS HERÓIS E O MEDO - 232º. fascículo

(continuação)

Era noite escura, de lua nova. Os faróis das viaturas desenhavam fantasmas na margem da picada. Mas era necessário andar depressa. Cada vez mais depressa. Cutia estava à espera. Se é que ainda estava à espera.


XXIX

Os homens saboreavam a serenidade tropical da noite. O coaxar feliz das rãs, nas bolanhas próximas, misturava-se com a sinfonia monocórdica dos ralos cantando ao desafio, aqui e além sublinhada pelo grasnido de um pato bravo, arreliado por não poder dormir, ou pelo guincho de um macaco a quem o coro acabara de acordar. A natureza em paz convidava os homens a confundir-se com ela, a mergulhar na beleza daquela cornucópia de sons africanos.

(continua)
Magalhães Pinto

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