...E cá dentro? Quem nos garante que uma Telecom, por exemplo, não tem resultados negativos dissimulados nas suas contas? Quem, dos accionistas detentores de meia dúzia de milhares de acções sequer se dignou olhar para as contas da empresa? Ou o BCP, por exemplo? Que significado tem, exactamente, para os pequenos investidores na Bolsa, o facto de os resultados em Nova Iorque serem substancialmente inferiores aos de Portugal? Ou a EDP, por exemplo? Porque é que as cotações baixaram tão astronomicamente em relação ao preço de reprivatização? Quem é que sabe coisas que o pequeno investidor não sabe? O preço da electricidade não diminuiu, o consumo não diminuiu, o custo dos factores nem variou por aí além. O que é que faz a EDP valer tão substancialmente menos agora? Atribuir a quebra das cotações apenas à oferta e à procura de acções em Bolsa, é pensamento redutor, é construção artificial daqueles a quem o funcionamento do mercado de capitais atribui um poder mais do que proporcional ao seu investimento. Enquanto, do outro lado, do lado dos pequenos investidores, ficam todos os outros, em número muito superior, que detêm um poder menos que proporcional ao seu investimento. Pactuar com este estado de coisas, sem fazer nada para o contrariar, é ir ao casino todos os dias.
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Excerto da crónica OS CONDES DA FINANÇA - Magalhães Pinto - 4/8/2002 - VIDA ECONÓMICA
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