Pesquisar neste blogue

4.5.08

OS HERÓIS E O MEDO - 251º. fascículo

(continuação)

O regresso foi mais silencioso do que a ida. Mário dirigiu-se à messe de sargentos e pediu uma cerveja, Precisava de limpar um gosto acre que lhe atenazava a garganta, apertando-lha, fazendo-a sentir uma espécie de asfixia. Uma pergunta, de resposta impossível na circunstância, verrumalha-lhe a consciência.


Porque será que, queimados, um branco fica preto e um preto fica branco?

Uma alegria viria espairecer as dores aquele dia. Mamadú regressara do Hospital para reassumir o seu posto. Vinha um pouco mais magro. Trazia uma grande cicatriz no ventre. Meio metro de intestino a menos e pronto para outras guerras. Vinha alegre. Mal chegou, foi levar a Mário um ananaz enorme, como este ainda não tinha visto naquela terra de pequenos frutos. E prometeu-lhe que havia de lhe arranjar mulher. Aquela vida sem mulher, dizia ele, era como sopa sem nabiça.

(continua)
Magalhães Pinto

Sem comentários: