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7.5.08

OS HERÓIS E O MEDO - 255º. fascículo


(continuação)

Aí pelas onze horas da noite, mais ou menos, uma violenta explosão acordou o aquartelamento. Os homens, na sua maioria adormecidos, saltaram da cama, estremunhados. Uma segunda explosão, daí a menos de meio minuto, não lhes deixou dúvidas. Estavam a ser atacados à morteirada. Agarraram na G-3, companheira fiel de todos os sonos, pendurada aos pés da cama. E começaram a correr para os abrigos. Sabiam todos serem os riscos diminutos. Não só porque a pontaria dos “turras” deixava a desejar, mas porque uma granada de morteiro só mata quem estiver num raio relativamente curto do seu local de explosão. Mas sabiam também, não fosse o diabo tecê-las, só haver um lugar verdadeiramente seguro, o abrigo. Robustos cibes a servirem de tecto, com toneladas de terra por cima. Mesmo caindo e explodindo a granada sobre um desses improvisados tectos, só o susto incomodava os homens por debaixo abrigados. O pior é que, quando ela descia a assobiar, durante aqueles breves segundos do seu voo descendente, pavorosos, não se sabia aonde iria aterrar. Tanto poderia ser a cinquenta metros de um homem como mesmo ao seu lado. Eram segundos de terror. Os mais experientes pareciam sapos a saltar. Bizarros sapos com corridas no meio de cada salto. Logo a seguir a uma explosão, desatavam a correr. Uma corrida acompanhada pelo assobio da próxima granada. Colada a tudo quanto pudesse servir de abrigo, em ângulos mortos. Calculistas, adivinhavam o momento da explosão da granada. Já estavam abraçados de novo ao chão quando ela acontecia.

(continua)
Magalhães Pinto

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