(continua)Os seus pensamentos voltaram-se para outra das suas preocupações. Uma das suas companhias sairia para o mato no dia seguinte. Era uma vulgar operação de patrulha, destinada à adaptação dos homens. Mas era importante, para reforço do moral, que corresse bem. Algo imprevisível numa guerra subversiva. Releu o plano da operação. Iam começar pela 642. Estava entregue a um bom comandante. O capitão Soares da Cunha. Era um oficial disciplinador, frio, conscientemente militarista. Características impossíveis de perceber no seu rosto meio imberbe. Não estabelecia grandes laços de amizade com os seus homens. Mas sabia conduzi-los ao objectivo. Iriam de viatura, mais tranquilamente, até Mansoa, aproveitando da única estrada alcatroada interpovoações. E, daí, partiriam, numa breve incursão, não muito profunda, na mata do Oio, através das picadas mais abertas. Visitariam as tabancas assinaladas no mapa, só para afirmar a presença da tropa. Não deveria haver problemas. O maior inimigo dos soldados seria, certamente, o calor excessivo, a que não estavam habituados, e aquela humidade opressiva, sempre a rondar os cem por cento. Uma humidade a deixar os fatos camuflados molhados, mesmo sem necessidade de transpiração. Num clima assim, como o da Guiné, excessivamente quente e húmido, é impossível estar-se limpo por mais tempo do que dura um banho. O suor, a humidade e a poeira brigam constantemente pela posse de cada mílimetro da epiderme, pelo domínio de cada prega de carne, pela ocupação de cada poro ainda livre.
(continua)
Magalhães Pinto
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