(continuação)O comandante mandou chamar o capitão Cunha, para uma reflexão conjunta sobre a operação. Não havia necessidade de aventuras. Era ainda cedo para os homens correrem riscos excessivos. A partir do momento em que abandonassem a estrada alcatroada e se embrenhassem nas picadas, a coluna deveria ser precedida por picadores apeados. As minas eram temíveis, quer as anti-pessoal, quer as anti-carro. Evitar acidentes a todo o custo era a palavra de ordem. Acidentes que, a sucederem, teriam efeito devastador no ânimo dos soldados. Iam ser acompanhados por um pelotão da Companhia 564, estacionada em Mansoa, a qual já levava mais de um ano de guerra. Misturar os maçaricos com os veteranos era aconselhável nos primeiros contactos daqueles com a guerra. A operação duraria todo o dia. Sairiam às seis da manhã e regressariam ao anoitecer. O médico da Companhia seguiria integrado na coluna, para prestar eventuais cuidados, não só aos homens, mas também aos indígenas nas tabancas a visitar. Não deveria ser esquecido ter a tropa uma missão importante a desempenhar, para além do combate aos terroristas. Apoiar as populações autóctones, tentando conquistar a sua simpatia. Após alguma troca de frases mais, os dois homens separaram-se. O capitão dirigiu-se ao comando da sua Companhia. Queria preparar a prelecção a fazer aos homens na manhã seguinte, pouco antes da saída. Até lá, eles não saberiam de nada.
(continua)
Magalhães Pinto
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