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9.12.07

OS HERÓIS E O MEDO - 110º. fascículo

(continuação)

Pronto. Já nada nos prende agora. Pelo menos, nada visível, que as amarras entre os que se vão e os que se ficam, ninguém as pode cortar. Amarras de amor. Amarras de saudade. Vamos embora, rapazes. Vamos conhecer um outro Portugal. Pelo menos, assim lhe chamam. Nada de lágrimas. Não podemos estragar a reportagem da televisão para logo à noite. Justifiquemos o texto lido pelo locutor. Anunciando a nossa partida, cheios de orgulho, por irmos defender a nossa Pátria. Sobretudo, companheiros, nada de lágrimas. Um soldado português ri-se à farta quando parte para a guerra. Chorar é para os outros, caguinchas, que os há por esse mundo fora. Nós somos bravos. Em qualquer parte do mundo, esta é a idade em que se está a passar a porta de criança para adulto. Mas não aqui. Aqui, com esta idade, nós somos homens feitos. E um homem não chora.

(continua)

Magalhães Pinto

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