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12.3.08

OS HERÓIS E O MEDO . 200º. fascículo

(continuação)

XXV

Chegaram a uma tabanca balanta pelo anoitecer. Não estavam previstos contactos com a população até atingirem Morés. Mas o moral dos homens estava tão em baixo, as energias tão depauperadas, que o comandante da companhia autorizou a breve paragem. No terreiro em frente às moranças, os nativos faziam a refeição da tarde. Um balaio de arroz cozido, branco, sem estrugido, em redor do qual se acocoravam os homens, mulheres e crianças. Pegavam em pedaços de arroz com as mãos e, com habilidade, faziam dele uma bola, logo deglutida quase sem mastigar. A chegada dos soldados teve o condão de mergulhar os circunstantes num pesado silêncio. Olhos no balaio, como se a tropa fizesse parte do meio ambiente. Os soldados procuraram encontrar água. Percebendo, com intuição feminina, o problema que os afligia, uma das nativas levantou-se e entrou numa morança, regressando daí a nada com um balaio de cajús. A acidez sumarenta do cajú era excelente para matar a sede. Os homens devoraram-nos sofregamente. Despertando reminiscências em Mário.

(continua)
Magalhães Pinto

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