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11.4.11

CRÓNICA DA SEMANA - I

FIM DE SEMANA

Neste último fim de semana, dois factos políticos captaram especialmente a minha atenção. Curiosamente, os dois pela negativa. Cada vez me convenço mais de que não haverá amanhã para este pobre país, no qual a classe política tem uma qualidade de saldo.

A primeira, foi a do Congresso do Partido Socialista. Chegados ao fim, a impressão com que fiquei foi a de ter assistido a uma imensa peça de teatro, tão bem encenada e representada que é bem capaz de levar muita gente a acreditar que está a ver a realidade. Para quem tenha seguido com alguma atenção, do princípio ao fim, terá notado que nem uma única ideia para salvar Portugal foi ali tratada. O grande presente do Congresso foi o PSD. Um estranho que tivesse assistido ao Congresso sem ter conhecimento do passado, teria acreditado que estava num Congresso daquele Partido da oposição. Ficou, assim, evidente, que o Partido Socialista não quer salvar Portugal. Quer é salvar o Poder que ainda tem entre as mãos. E o Congresso terá atingido o cúmulo do surrealismo quando José Sócrates perguntou se o Povo não podia responder com o voto à irresponsabilidade de quem provocou a instabilidade política. Como se o voto não existisse precisamente para louvar ou condenar quem governa o país. Sócrates pretende fazer-nos esquecer que foi ele, e só ele, que governou o país nestes últimos seis anos em que Portugal se afundou no negrume da falência.

A segunda notícia que me impressionou foi a de que Fernando Nobre, o excelente candidato das últimas eleições presidenciais, tinha aceite ser candidato pelo PSD nas próximas legislativas. Não sei o que o terá levado a isso. Provavelmente, o reconhecimento de que, tal como aconteceu com Manuel Alegre, os votos que obteve nas presidenciais estão condenados ao balde do lixo no futuro, fora da lógica partidária. Mas a sua aceitação só fará sentido se ele for disposto a partir a loiça e lutar pela modificação da lógica partidária do actual regime. Senão, como já aconteceu com todos os outros em casos idênticos, será trucidado pelo partido que o convidou. E não terá passado de instrumento eleitoral de um partido que precisa também de ser reformulado. Iludindo, assim, as esperanças de quem votou nele tão esperançado. Esperemos para ver.

Magalhães Pinto, em RÁDIO CLUBE DE MATOSINHOS, em 12/4/2011

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