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10.8.07

A DUVIDA - 151º. fascículo

(continuação)

A minha felicidade e a minha responsabilidade de mÃos dadas, Maria do Céu. Responsabilidade porque penso, porque sinto, porque quero. E é pensando, sentindo e querendo, que ajo. E é agindo que traço o meu destino, que construo o meu futuro, que defino o sentido da minha existência. Nada disso fiz bem, Maria do Céu! Já nem importa se tu o fizeste! Não são os teus erros a justificar os meus! Se os fizeste, já os pagaste por inteiro, a pronto pagamento. Eu estou na primeira prestação.

Comecei com vontade de censurar-te, Maria do Céu. Mas já não consigo fazê-lo. Porque reconheço ser eu próprio a responsabilidade, pelo simples facto de ser humano. A contradição de ser humano é simult‰neamente a minha desculpa e a minha responsabilidade. Já não tenho qualquer dúvida, finalmente. Era imperioso retirar do nosso caso esta conclusão, pelo menos. Não posso, legitimamente, eximir-me à responsabilidade pelo acontecido.

(continua)

Magalhães Pinto

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