
Pois bem. Veio agora o Tribunal de Contas dizer que essas informações só foram possíveis porque o Governo tinha alterado o modo de contabilização das coisas na área da Saúde, pelo menos. E que o que realmente aconteceu, em 2006, foi que se gastou e se ficou a dever mais dinheiro do que no ano anterior. O Tribunal de Contas é um departamento do Estado, independente do Governo, a quem cumpre fiscalizar as contas do Estado apresentadas pelo dito Governo e dizer aos Portugueses se essas contas estão bem ou se estão mal. O Tribunal de Contas é presidido, actualmente, pelo Dr. Guilherme de Oliveira Martins, um distinto socialista que, além de deputado pelo PS, foi por três vezes Ministro de Governos do Engº. António Guterres.
Em primeiro lugar, louve-se a isenção do Presidente do Tribunal de Contas. O qual consegue, deste modo, manter-se à margem dos interesses partidários num cargo de tão alta responsabilidade e tão necessário à democracia. Mas o que mais devemos reter do que venho contando é a actuação do Ministro da Saúde, em particular, e do Governo que nos governa, em geral. Este foi só mais um caso em que o Governo altera o modo de contabilizar as coisas, de modo a poder intoxicar-nos com a sua propaganda. E o que mais preocupa com este indicador é que temos todos vindo a fazer sacrifícios enormes, ao que parece para equilibrar as contas públicas, mas é legítimo ter a dúvida sobre se realmente as coisas estão a melhorar nesse domínio. Com um Governo que nos engana desta maneira, nunca se sabe. Tudo o que se sabe é que é bem capaz de chegarmos aí adiante, o Primeiro-Ministro ir-se embora e o que vier atrás dele nos vir dizer que as contas públicas, afinal, estão num estado lastimoso.
Excerto da crónica A VERDADE E A MENTIRA - Magalhães Pinto - "MATOSINHOS HOJE" - 26/11/2007
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