Uma vez, já há alguns anos, escrevi aqui, nestas colunas, que considerava trágico estarmos a ser governados por António Guterres. Não faltou quem nisso visse a manifestação de partidarismo. O tempo passou. Seis longos anos. De laxismo. De incompetência. De compadrio. De reformas urgentes não feitas. De esbanjamento dos nossos sempre parcos recursos. De cobardia governativa. De palermices umas atrás das outras. O resultado está aí, à vista. Não sou eu que o digo, agora. São os Portugueses que o sentem na pele. São vozes autorizadas, de gente séria. É a Bolsa que o reflecte. São os impostos não pagos. É a ruptura do Estado. É uma frágil segurança social. É o desemprego. São as contestações da via pública.
E, o que é mais grave, é que a procissão ainda vai no adro. Sacrifícios maiores nos esperam. Na sua edição de 21 de Outubro último, o prestigiado jornal Financial Times traçou um negro retrato da situação do país, sob o título genérico de "RISCO CRESCENTE POR NÃO AGIR – Os trabalhadores mais mal pagos da Europa não aceitam as reformas há muito necessárias". Dura verdade.
Habituados a uma vida fácil, nós não quisemos saber de um aviso que, repetidamente, nos foi feito. Ou aproveitamos a oportunidade que a adesão à Comunidade e à Moeda Única nos oferecia ou iríamos pagar bem caro. Não fizemos nenhuma das reformas que eram essenciais. Designadamente a Reformas Administrativa. Andamos – os mais conscientes - anos a fio a reclamar a Reforma Administrativa. Chegou a haver Governos que tinham um Ministro especial para essa coisa. Se quisermos lembrar o que se fez, só recordaremos a extinção do papel selado. Os anos passaram na mais perfeita vacuidade. No mais agudo deixa-andar. Hoje, deitamos as mãos à cabeça. De nada vale. Já não há tempo.
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Excerto da crónica DE MAL A PIOR - Magalhães Pinto - "VIDA ECONÓMICA - 22/10/2002
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