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9.4.08

MEMÓRIA

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Acontece que, há dias, Paulo Pedroso foi libertado da prisão preventiva que estava a sofrer. Um facto normalíssimo. Que acontece nos tribunais todos os dias. Um tribunal de primeira instância produz uma decisão, o atingido por ela não se conforma, reclama para um tribunal superior e, muitas vezes, muitas mesmo, este tribunal superior julga mal tomada a decisão anterior. E revoga-a. Foi isso que sucedeu com Paulo Pedroso. Tal como ouvi dizer, com rara felicidade a alguém que já não recordo, nem Paulo Pedroso era um criminoso no momento em que foi preso, nem deixou de o ser ao ser, agora, libertado. O seu estatuto é rigorosamente o mesmo. É apenas suspeito. E nós sabemos quantas suspeições há por aí que se não confirmam. Temos, portanto, a estrita obrigação de respeitar a presumível inocência dele, como temos que respeitar a de qualquer outra pessoa. Até que uma de duas coisas aconteça: ou seja declarado inocente ou seja condenado. E nem sequer temos o direito de estar a opinar sobre estas coisas. Como não temos o direito de julgar que a sua libertação se deve ao facto de ser político. Eu confio nos tribunais. Portanto, se foi libertado é porque estava mal preso.

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Excerto da crónica O DECORO - Magalhães Pinto - "MATOSINHOS HOJE" - 13/10/2003

3 comentários:

Tisha disse...

Diga-me francamente, se, depois de 5 anos, e todos as coisas que vemos acontecer todos os dias, AINDA acreditas na Justiça??

Eu tenho as minhas dúvidas, mas pode ser que tens mais esperança nestes coisas do que eu.

MAGALHÃES PINTO disse...

Obrigado pela visita e pelo comentário Tisha.

No nosso país, a Justiça - ridículo chamar a "isto" que temos Justiça! - está ainda mais doente que a Saúde e a Educação. Só não se nota tanto porque não é tão sensível para as pessoas.

MAGALHÃES PINTO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.