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3.3.11

POEMA DO MÊS


QUE IMPORTA?...

Que importam pedaços de luz
entre nuvens espessas?...
Que importa o som, que seduz,
de vagas promessas?...
De que valem descansos infindos
que acabam jamais?...
De que valem os sonhos tão lindos
que estão sempre a mais?...
De que valem segredos guardados
em gavetas vazias?...
De que valem todos estes bocados
que preenchem os dias?..
Que importa a lembrança ferida
de sentimentos profundos?...
De que vale a ferida esquecida
de viver em dois mundos?...
De que vale a esperança,
do que tarda em chegar,
que me traz a emoção
do meu cirandar?

Se eu pudesse apenas saber!...
Será que posso saber?...

Que seriam meus dias,
sem essa emoção?...
Quantas agonias
na palma da mão?...
Que passos trocados
à procura de nada?...
Quantos sonhos deixados
na minha almofada?...
E desta alegria,
bordada a tristeza,
que, em cada dia,
me canta a beleza
dum sonho de amor
inda mal começado,
não restaria a dor
dum vazio pecado?...
E a ternura que tenho
a borbulhar no meu peito?...
E o Amor, que é tamanho,
despeço-o sem jeito?...

Não!... Mil vezes não!...
Não!... Mil vezes não!...

Antes esta tortura
que a alma me entorta,
que perder a doçura
sem a qual era morta!...

Magalhães Pinto

3 comentários:

Anónimo disse...

Um Poema muito bonito e......muito sentimental!
Guarda algo muito bem interiorizado, que poucos compreendem as palavras do autor!!!!

cidissima disse...

É preferível morrer de amor a nunca tê-lo conhecido.
Ame profunda e passionalmente. Você pode se machucar, mas é a única forma de viver o amor completamente.

Cida

Rui Pires disse...

Lindo!
Maravlhosas palavras!
Gostei!
Abraço,

Rui Pires