(continuação)
Só então, de olhar sereno, brilhante e seguro, de consciência tranquila, ainda de mangas arregaçadas e esventrando a terra do egoísmo sem desfalecimento, só então, com a voz firme de quem diz uma verdade sem receio de desmentido, vou poder responder:
- Preparo-o o melhor que posso e sei, que sinto e quero, para ti...
Já é noite, Maria do Céu. Os guardas não tardarão a apagar a luz. É forçoso acabar aqui. No ponto onde acaba a minha dúvida. Não sei, ainda, como hei-de fazer chegar às tuas mãos este despejo que faço da minha alma antiga, incapaz de a ter por inquilina. Nem me deixaram sequer acompanhar-te à pousada na qual descansas já. Nem me disseram onde fica, tão pouco. Acho que vou mandar isto tudo para Rala. Deve haver por lá alguém que saiba...
F I M
Magalhães Pinto
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