
Joaquim Queirós, jornalista de méritos firmados e reconhecidos, editou um livro de crónicas sobre Matosinhos. Parabéns. Sobre isso fala uma das minhas crónicas semanais.
***
Muitas das melhores páginas da nossa História estão vertidas nas páginas dos cronistas. Por eles pudemos conhecer, mais do que os factos, que relataram com bastante precisão histórica, o meio, o colorido, o contexto, em que os factos ocorreram. Uma tradição que se não perdeu ao longo do tempo Português. A ponto de dispormos, hoje, de um vasto naipe de homens e mulheres que se dedicam a deixar impressas as memórias do tempo que vivemos.
Joaquim Queirós é um desses homens. Conhecio-o, a primeira vez, já lá vai cerca de meio século. Com ele algumas vezes, perto dele outras, de longe mas atento as restantes, percorri esta longa - e apesar disso, tão curta - caminhada. Jornalista respeitado que atingiu os mais elevados patamares da profissão, sempre soube transmitir aos outros os acontecimentos de que foi testemunha. Utilizando um estilo simples, linear, mas riquíssimo na imagem, soube fazer-nos viver os acontecimentos a que não assistíamos directamente, não perdendo, na verdade inteira do que dizia a nota particular que fazia de cada um dos factos por ele relatados um evento único, irrepetível.
Para além de tudo isso, Joaquim Queirós é um excelente escritor. Domina a Língua Pátria com rara desenvoltura e isso permite-lhe dar, ao que diz, uma prazenteira elegância. É sempre um prazer lê-lo. Na leitura de Joaquim Queirós encontramos o prazer da fala inteligente, aquela que se dirige mais à emoção do que à razão.
É disso que trata, essencialmente, a seu novo livro, lançado esta semana. Simultâneamente autobiográfico e histórico, este "MAR DE GENTE" é mais do que isso, um mar de gente. Embora fique para sempre retida nas páginas deste livro a autêntica multidão que atravessou o tempo e o lugar vividos e trilhados por Joaquim Queirós, é Matosinhos vivo, o Matosinhos dos últimos cinquenta anos, a ser aprisionado para sempre na memória indestrutível da palavra escrita. Se outro mérito não tivesse, bastaria esse para o justificar. Mas "MAR DE GENTE" vai mais longe. Nas suas personagens e no enredo que as une, fica uma linda, imensa, homenagem àqueles que, com mais ou menos notoriedade, construiram a terra do autor, esculpiram esta sociedade à qual entregamos o nosso carinho e o nosso amor.
A edição do livro ficou a dever-se à Câmara Municipal de Matosinhos e à ANCIMA, que o patrocinaram. Uma justa e apropriada medida. Mais do que pagar a edição de um qualquer livro, essas entidades salvaram, para a História, aquilo que é, realmente, um pedaço da História viva de Matosinhos. Bem hajam por isso.
Crónica MAR DE GENTE - Magalhaes Pinto - "Matosinhos Hoje" - 4/6/2007
Sem comentários:
Enviar um comentário