
O Governo tenciona fazer os cidadãos pagar pela entrada nos Parques Nacionais. Isto, depois de ter, há pouco tempo, retirado as autarquias correspondentes do processo de gestão dos Parques. É bem uma medida perfeita para mostrar o colorido do estilo de governação a que estamos sujeitos.
Um breve inquérito realizado pela SIC junto dos habitantes de dois desses parques mostrou, na opinião de quem neles vive e produz a sua vida, a verdadeira natureza da atitude do Governo. Segundo esses habitantes, da definição dos Parques Nacionais não resultou o menor benefício para eles. Como dizia um simples pastor entrevistado, são os habitantes que cuidam dos bens naturais, são eles que têm que abrir os caminhos, não houve investimento que se visse efectuado pelos poderes públicos e, até, as visitas aos referidos Parques não são, pelas dificuldades que surgem a quem se aventura a ser turista de um qualquer deles, sequer significativas.
Estava a ouvir isto e a lembrar-me do barulho feito, sobretudo pelo Partido Socialista, quando o Governo de Cavaco Silva pretendeu erigir uma barragem junto à foz do Rio Coa, na localidade que, desse acidente, recebeu o nome. Não foi sequer um concerto de protestos. Foi um encontro de todas as bandas bem pensantes do País. As quais se juntaram, num coro ensurdecedor. E recordo que um dos argumentos mais utilizados pelos opositores às ideias do Governo de então era o volume de proveitos que as visitas às celebradas gravuras rupestres - que desapareceriam debaixo de água com a barragem projectada - gerariam para a região. Passaram mais de vinte anos. E Vila Nova de Foz Coa é hoje igual ou mesmo menos do que era na altura. O nosso país está cheio de balelas políticas. Com a agravante de nós, os cidadãos eleitores, não aprendermos nada de umas ocasiões para as outras.
Se a ideia do Governo for avante, aí vamos ter nós uma receita para o Estado, sem bem sabermos porquê. Talvez não seja grande. Mas não é isso que importa. Talvez se justificasse, se o Governo investisse esses valores nos referidos Parques. Mas não é isso que importa. O que verdadeiramente importa é que nada foi feito - a não ser alguns Decretos-Lei - e a cobrança que o Governo quer fazer não é outra coisa senão outra espoliação. Como disse um dos entrevistados no tal inquérito, ainda se compreendia se o dinheiro fosse para as populações locais e para os proprietários dos terrenos que integram os Parques. Porque, prosseguiu ele, "isto é nosso, não é deles". Nós sabemos quem são os "eles" desta locução. Os espoliadores.
Crónica ISTO É NOSSO! NÃO É DELES! - Magalhães Pinto - "Matosinhos Hoje" - 11/6/2007
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