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1.4.07

POEMA DO MES


FIM

No meu espírito,
soam os gritos
que mais não fazem que chamar por ti...
São sonhos aflitos...
Frases soltas... a esmo...
são ditos que repito a mim mesmo...
São poemas que eu nunca escrevi...
E as fragas dos meus fantasmas
não me devolvem
senão o eco dos meus chamamentos...
São como miasmas
que enchem de sombras
os meus pensamentos...
Pequenos indícios
- sementes de estranha loucura -
parecem mentiras
de quem anda à procura,
nas curvas do tempo,
de coisas que não inventei...
Querendo ir mais longe...
Como se longe estivesse
aquilo com que sempre sonhei...
Chego a fazer uma prece
- sei lá a que deus -
para que me faça tocar
- uma vez só que seja -
a fímbria de um só dos meus sonhos...
Em vão, amanhece
e a luz que me escalda
não é luz que se veja....
Nas mãos vazias
do meu pensamento
ficam apenas os saldos medonhos
das noites em branco...
das horas mais frias...
que são como tijolos
deste meu sofrimento...
Como flocos de neve,
como chuva na aurora,
ficam feitos em nada
os gritos que, em vão,
vou gritando em silêncio...
O tempo é já breve...
O depois é já agora....
O sol é já lua...
O dia é já noite...
E a imaginação
fica por aí, num recanto,
feita apenas desejo
para alguém que se afoite...
Não eu, que já não tenho coragem...
Para ir mais além....
Para continuar
à procura de alguém
que se esvaíu na voragem
desta vontade de amar...

Magalhães Pinto

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