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12.6.07

A DUVIDA - 92º. fascículo

(continuação)

Acabei por me sentar na cama, ao lado de Maria do Céu. A olhar para as suas costas, de veludo, sabia eu. Acariciei-a. Sem reacção aparente. Desapertei os colchetes do soutien. Debrucei-me sobre ela e desenhei, com os meus lábios, arabescos nas suas costas. Lentamente, muito lentamente, percorri a sua coluna dorsal com a ponta humedecida da minha língua. Da nuca aos quadris, dos quadris à confluência das suas nádegas, puxando o slipe um pouco para baixo. Senti os seus soluços começarem a esmorecer.

Maria do Céu deixou-se conduzir pelos meus gestos, duma forma quase mecânica, numa oferta não regateada mas abúlica, não participada. Objecto apenas, inanimado. A sua lassidão foi tornando o meu assalto cada vez mais violento. Colei o meu peito nas suas costas. Como se quisesse arrancar-lhe a ferros uma verdade de que já desistira, penetrei-a vigorosamente, calando, com a mão em concha a simular uma carícia, os quase inaudíveis gemidos de dor a escaparem dos seus. Furiosamente, como se fosse uma sova, como se cada movimento pretendesse fustigar a sua consciência, continuei o acto até explodir nas suas entranhas, com um ronco de desespero a sublinhar a explosão.

(continua)
Magalhães Pinto

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